HIGIENE COMO UM DIREITO HUMANO PARA TODAS AS IDADES:
- Este evento será o primeiro do mundo abordando diretamente questões de higiene para pessoas idosas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
- Ele apresentará pesquisas pioneiras, identificará preocupações-chave e estabelecerá uma agenda para a mudança.
UM DESAFIO CRESCENTE:
Nos próximos 25 anos, o número de idosos vivendo no Brasil dobrará, chegando a quase 70 milhões. Isso cria desafios específicos associados à higiene de pessoas idosas com dependência funcional, sobrecarga de seus cuidadores e impacto na saúde das pessoas envolvidas.
TEMAS ABORDADOS:
1. Continência
Mais de um em cada cinco idosos brasileiros apresenta incontinência urinária, com taxas mais altas entre as mulheres. Estima-se que esse dado é subnotificado, devido ao constrangimento e tabu dessas pessoas ao falar sobre o tema. Com relação à incontinência fecal, estima-se que um a cada 20 idosos apresenta o problema. A incontinência geralmente é manejada com o uso de produtos absorventes, como as fraldas geriátricas. Esse produto pode custar até 1000 reais por mês, considerando uma média de uso de cinco fraldas por dia, se configurando, também, um problema de alto impacto socioeconômico. Na realidade brasileira, muitas pessoas idosas pobres não conseguem acessar esses produtos em quantidade e com a qualidade que precisam.
2. Banho e higiene corporal
Pessoas idosas com dependência funcional e problemas de mobilidade enfrentam múltiplos desafios para tomar banho diariamente e realizarem cuidados de higiene oral e íntima. Em casas localizadas em bairros pobres, os banheiros frequentemente são apertados, inacessíveis ou inseguros, e o acesso à tecnologia assistiva é limitado. Nesse contexto, os cuidadores familiares têm dificuldades para ajudar idosos com dependência funcional a tomar banho, e relatam frequentemente sobrecarga quando falam desse cuidado. Consequentemente, muitas pessoas idosas podem passar semanas ou meses sem tomar banhos ou se higienizar de forma eficaz, impactando em sua saúde física e mental.
3. Por que isso importa?
Higiene básica é um requisito fundamental para a dignidade humana e um direito humano. A má higiene tem grandes impactos na saúde física e mental das pessoas idosas, no senso de valor e na qualidade de vida. Condições causadas por má higiene, como infecções urinárias, lesões de pele e doenças diarreicas, frequentemente exigem hospitalização e se configuram como uma das principais causas de aumento dos custos com cuidados de saúde e aumento da resistência aos antimicrobianos utilizados nessas condições.
4. Então por que ninguém está falando sobre isso?
Muitas pessoas têm vergonha, se sentem constrangidas, ou têm medo de ser julgadas ao falar e discutir essas questões. A má higiene, especialmente a incontinência, continua altamente estigmatizada. Ademais, a necessidade de invadir a privacidade das pessoas que necessitam de ajuda para realização desses cuidados íntimos se torna um tabu e um problema dentro do contexto de saúde da pessoa idosa com dependência funcional. Isso desencoraja debates informados sobre como essa crise crescente pode ser desafiada.
O que pode ser feito?
Este evento tem como objetivo lançar uma nova rede nacional e um programa de atividades para aumentar a conscientização e visibilidade sobre o tema; reduzir o estigma e desenvolver respostas, intervenções e produtos eficazes para minimizar o problema.
PRINCIPAIS PALESTRANTES:
Karla Giacomin
Em 2024, a Dra. Giacomin foi reconhecida pelas Nações Unidas como uma das 50 principais especialistas globais em envelhecimento e saúde. Karla é Diretora da Associação Brasileira de Cuidados, vice-presidente do Centro Internacional de Longevidade do Brasil e pesquisadora da FIOCRUZ. Karla é geriatra em atividade, com doutorado em Ciências da Saúde pela FIOCRUZ, Minas Gerais. Karla atuou como consultora sênior para a Organização Mundial da Saúde, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e outras agências globais.
Larissa Chaves Pedreira
A Dra. Pedreira é Professora e Vice-Líder do Grupo de Pesquisas e Estudos do Idoso (NESPI) da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Larissa é uma referência em estudos sobre sobrecarga de cuidadores e cuidado a pessoas idosas com dependência funcional, e pesquisadora principal do Brasil em um estudo internacional sobre higiene de idosos, financiado pelo Reckitt Global Hygiene Institute (RGHI).
Peter Lloyd-Sherlock
Dr. Lloyd-Sherlock possui doutorado em Economia pela London School of Economics. Peter é Professor de Gerontologia e Saúde Global na Northumbria University, Reino Unido. Cargos anteriores incluem atuação na London School of Hygiene and Tropical Medicine e na Organização Mundial da Saúde. Peter foi membro da Força-Tarefa da Comissão Lancet sobre COVID-19.
Yeda Duarte
A Dra. Duarte possui doutorado em Ciências da Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP), onde atualmente é Professora Associada. Yeda é Diretora do Departamento de Enfermagem do Hospital da Universidade de São Paulo e Diretora da Pesquisa SABE (Saúde, Bem estar e Envelhecimento) – uma pesquisa longitudinal com idosos em São Paulo.
Cristina Hoffmann
A Dra. Cristina Hoffmann é Consultora Sênior em envelhecimento saudável na Organização Pan-Americana da Saúde, Brasil. Cristina foi anteriormente Coordenadora de Saúde dos Idosos no Ministério da Saúde. Ela possui doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade de Brasília.
01 de junho de 2026 - 08:30 - 12:30.
Evento presencial - Auditório 4° andar - FIESP, São Paulo - SP.
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