Histórico

1.1 Ano de criação e evolução ao longo do tempo
 
O Ministério da Educação e Cultura e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) com o Departamento de Assuntos Universitários (DAU), na década de 70, promoveram encontros visando assessorar grupos de trabalho para identificar, na Escola de Enfermagem, as condições para iniciar um Curso de Mestrado na região Nordeste. Após a realização de encontros com representantes das Escolas de Enfermagem do Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia, reconheceu-se que a Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (EEUFBA) apresentava condições favoráveis para a criação do Curso de Mestrado, com número suficiente de docentes com título de Doutora/Doutor, e com uma proposta que atendia aos requisitos para a sua criação. 
Em 06/11/1978, a Câmara de Pós-Graduação da Universidade Federal da Bahia aprovou a criação do Curso de Mestrado em Enfermagem da EEUFBA por meio da Resolução 03/1978, do Conselho de Coordenação da UFBA. O curso foi criado para atender às prioridades das Políticas de Saúde e de Educação do país, e atender à demanda de formação de pessoal docente das regiões Norte e Nordeste. 
 
Em janeiro de 1979, a Escola instalou o primeiro Curso de Mestrado em Enfermagem da região Nordeste, na gestão da diretora, Profa. Dra. Clara Wolfovith, com uma área de concentração, Enfermagem Médico-Cirúrgica. A escolha foi justificada não somente pela demanda do setor saúde, mas, sobretudo, pela experiência adquirida e consolidada no Curso de Especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica sob a forma de Residência. Em 1990, foi criada mais uma área de concentração, Enfermagem na atenção à saúde da mulher e da criança, de modo a atender as demandas de pesquisas na área. Em 1981, foi elaborado o Regimento Interno do Curso de Mestrado, sendo encaminhado ao Conselho Federal de Educação o processo de credenciamento de acordo com Resolução nº. 94181, de 26 de agosto. Nesse mesmo ano, a CAPES realizou a primeira avaliação do Curso de Mestrado da EEUFBA, sendo atribuído o conceito “A”, que se manteve nos anos subsequentes. Em 9 de março de 1983, o referido curso foi credenciado pelo Conselho Federal de Educação para o período de cinco anos.
 
Em 1987, registram-se os primeiros Grupos de Pesquisa da EEUFBA no Diretório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Desde a implantação do Mestrado, registra-se crescimento gradual do fluxo discente que passa de aproximadamente 3 titulações por ano até 1989, para a média de 4,0 na década seguinte. 
A partir do final da década de 1980 e início da década de 1990, o Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (PPGENF/UFBA) passou por reestruturações, sendo a última realizada em 2003 com a criação de área de concentração única, por orientação da CAPES, denominada “Gênero, Cuidado e Administração em Saúde”, sustentada por 3 Linhas de pesquisa: : “Mulher, Gênero e Saúde”, “O Cuidar em Enfermagem no Processo de Desenvolvimento Humano” e “Organização e Avaliação dos Sistemas de Cuidados à Saúde”.  
 
Na década de 1990, as dirigentes da EEUFBA investiram na qualificação de seu corpo docente, viabilizando a ida dessas docentes para cursos de Doutorado fora do Estado e do país, como os da Escola de Enfermagem da USP-SP (EEUSP/SP), Escola de Enfermagem da USP-Ribeirão Preto (EEUSP/RP), Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Departamento de Enfermagem Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de Paris e Universidade de Tóquio.
 
No início do ano 2000, ocorreu um aumento dos projetos de intercâmbio internacional, envolvendo países da Europa (Espanha, Portugal, França), Estados Unidos, países da América Latina e Japão. Entre outros, destaca-se o Seminário Internacional em Educação e Saúde no Marco de Cooperação Internacional Brasil/Espanha/Colômbia, com participação de 10 docentes da Espanha, uma docente da Colômbia e docentes vindas/os de outros Estados do Brasil. 
 
A reestruturação empreendida imprimiu nova dinâmica ao Programa com reflexos na elevação do fluxo discente, de modo que em 5 anos (2000 - 2004) obteve-se um total de 93 titulações, que correspondia à média de 18,6 por ano, superando toda a produção acumulada das décadas anteriores. 
 
Em maio de 2003, quatro docentes da EEUFBA, uma docente da Universidade Estadual de Feira de Santana e uma da Universidade de São Paulo foram para Espanha, em visita por meio de projeto integrado EEUFBA/Universidades Espanholas (Cantábria e Madri), financiado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI). 
 
Observa-se, nesse período, a abertura de vários programas na UFBA em convênio com a CAPES, a saber: Programa de Apoio a Projetos Institucionais, com a participação de recém-doutores (PRODOC) e Programa de Qualificação Institucional (PQI), sendo a Escola contemplada com a aprovação de projetos institucionais para esses programas. A implementação do PQI se destacou com a titulação de três doutoras/es e realização de missão de trabalho junto à UFRJ e à UFSC. Além desses, docentes da Escola participaram dos programas de Apoio do Desenvolvimento Científico do CNPq e da Fundação de Apoio a Pesquisa no Estado da Bahia (FAPESB), que ampliaram as bolsas de docentes e alunas/os.
 
O quadro docente qualificado no Programa, com consequente elevação de sua produção e capacidade de orientação, possibilitou a oferta de uma turma de mestrado fora da UFBA, na Universidade Estadual de Santa Cruz/Ilhéus/Itabuna, iniciado em 2001, modalidade de curso precursora dos atuais Minter/ CAPES. A procura de docentes para formação pós-doutoral tem sido uma constante neste Programa no último quinquênio.
 
Desde a implantação do Mestrado, registra-se crescimento gradual do fluxo discente que passou para a média 20 na década atual, no curso de Mestrado e de 6 no curso de Doutorado, este a partir de 2006. No triênio 2010-2012 houve 56 defesas de Dissertação e 13 defesas de Tese. No atual quadriênio, 2013-2016 foram defendidas 90 Dissertações e 30 Teses.
 
CRIAÇÃO DO CURSO DE DOUTORADO
 
Desde a década de 1980, o PPGENF envidou esforços para criação do curso de doutorado, inicialmente de modo cooperativo, entretanto, a articulação com outras universidades do Nordeste, e a proposta de criação de um doutorado interestadual e interinstitucional não obteve êxito.
 
Na avaliação trienal de 2004 pela CAPES, o Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da EEUFBA obteve nota 4, reunindo, desse modo, as condições necessárias à abertura do Curso de Doutorado. A proposta foi A proposta de curso de Doutorado encaminhada pela coordenação do Programa à CAPES em 2005 e aprovada no mesmo ano. Demandou novos ajustes à estrutura curricular do Programa com acréscimo de disciplinas e atividades inerentes à formação nesse nível, contudo sem alterar a área de concentração e as linhas de pesquisa existentes, que permanecem ativas até a atualidade. O Curso foi instalado em 5 de dezembro de 2005, e o início da primeira turma ocorreu em março de 2006, com 10 alunas matriculadas.
 
A criação do Doutorado responde à necessidade de formação de quadros de pessoal docente qualificado e de expansão do conhecimento na área, bem como aponta para o papel social relevante que a enfermagem desempenha no sistema de saúde brasileiro e na Bahia. 
 
O Curso de Doutorado em Enfermagem da UFBA foi o segundo implantado na região nordeste e o primeiro na Bahia. Tem oferecido importante contribuição na formação de pesquisadoras na área de enfermagem, da Bahia e de outras regiões do país, de modo que, ao final do ano de 2016, do total de 53 Doutoras/es egressa(o)s do Programa, desde a criação do curso de doutorado, 92,45% pertencem aos quadros dos hospitais e, principalmente, das universidades públicas do Estado.
 
Em consonância com o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), 2011-2020, o PPGENF/UFBA busca atender à necessidade de qualificar enfermeiros e outros profissionais de saúde do Estado e da região Norte/Nordeste, oferecendo, desde 2016.1, processo seletivo, também, para outras categorias profissionais da área de saúde.
 
Visando tornar-se mais competitivo e atender às demandas de formação profissional do Estado e da região Norte/Nordeste, desde o processo seletivo de 2016.1, o Programa passou a ser aberto a outras categorias profissionais da área de saúde. Desde então, está em curso processo de reestruturação do Programa, para atender a qualificação no nível de Mestrado ou Doutorado de outras/os profissionais, sem perder a identidade com a Enfermagem. Além disso, o processo seletivo foi modernizado, com inscrição e parte da seleção de candidatas/os de maneira eletrônica (On-line) pelo Sistema para Inscrição e Seleção de Candidatos à Pós-Graduação / UFBA (SIPÓS).
 
Neste sentido, em 2018, a denominação do Programa de Pós-graduação passa a ser Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde.
 
O PPGENF/UFBA tem contribuído na ampliação do conhecimento na área de saúde e enfermagem por meio de estudos nacionais e internacionais que, vinculados à sua área de concentração e linhas de pesquisa, estão focados no cuidado, na educação, na gestão e na utilização de abordagens de gênero e étnico-raciais, nivelando-o num patamar inerente à pós-graduação de qualidade.
 
Vale destacar, ainda, os esforços do PPGENF/UFBA no sentido de incrementar a produção científica em sintonia com as diretrizes estabelecidas pelos organismos/agências nacionais e internacionais de financiamento à pesquisa em saúde, além de estabelecer parcerias com pesquisadores vinculados a centros de excelência internacionais e do incentivo a ações impactantes de desenvolvimento e empreendedorismo no avanço da prática de enfermagem.
 
Articulação do PPG com os serviços de saúde da região, local de inserção de docentes e discentes.
 
Docentes e discentes, em aderência às linhas de pesquisas em que se se inserem, promovem integração com a rede de saúde por meio de convênios da Escola e desenvolvem atividades nos serviços de saúde, assistência social, e educação. Nesses serviços, desempenham atividades de Tirocínio docente, Estágio docente, Atividade Curricular em Comunidade (ACC), Programas de Educação Tutorial (PET), projetos de extensão, que geram também produção de material empírico para as pesquisas. Nesta última atividade, a integração se dá também com munícipios da Bahia e de outros estados do Nordeste/Norte.
 
Na rede pública, desenvolvem atividades nos serviços de atenção básica à saúde, sobretudo da Estratégia de Saúde da Família, vinculada à Secretaria de Saúde dos Municípios, Hospital Universitário Prof. Edgar Santos (HUPES), Escola de Formação Técnica em Saúde Prof. Jorge Novis, Comunidade Quilombola em Ilha de Maré - BA,  Programa Melhor em Casa, Instituição de Longa Permanência para Idosos (D. Pedro II), Hospital Geral Roberto Santos, Secretaria Municipal de Saúde, Escola Estadual Dom Avelar Brandácio Vilela, Centro de Informação Antiveneno/ Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio, Ambulatório Central de Referência do Programa de Controle da Asma na Bahia (ProAR), Maternidade Climério de Oliveira, Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (Microcefalia) e Programa Consultório de Rua.
 
Estudantes em diferentes níveis de formação, graduação, mestrado e doutorado, além dos docentes, interagem com a realidade da atenção à saúde, com usuárias/os, profissionais do cuidado e da gestão, em consonância com as propostas, projetos de pesquisa e extensão de que participam, de modo a colaborar na implementação de políticas públicas no cuidado, na formação e na gestão. A inserção por meio da pesquisa, do ensino e da extensão é, portanto, uma oportunidade de troca de experiências e de construção do conhecimento, que fortalece as áreas temáticas a que se dedicam docentes e discentes em suas respectivas linhas de pesquisa, e em diferentes realidades locais e regionais. A formação de mestras/es e doutoras/es dá-se, necessariamente articulada a perspectivas transformadoras das práticas, que requerem a interseccionalidade de categorias de pesquisa e de análise das realidades como gênero, classe, raça e geração no cuidado e na gestão do cuidado.